Perfil: Baga de Bagaceira

Quem transita pelos corredores do Centro de Artes, Humanidades e Letras ou pelas ruas de Cachoeira, com certeza já esbarrou com Baga de Bagaceira. Mais uma figura sensacional que adotou o Recôncavo como sua morada. Ainda não conhece a Baga? O Redescobrindo Raízes te apresenta!


Perfil: José Silveira


Por: Dalila Brito

José Silveira, nascido em Santo Amaro da Purificação, em 03 de novembro de 1904, foi diplomado pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1927. Condecorado com a Medalha Alfredo Brito, pela sua defesa de TCC em Radiologia da aorta descendente. Aos 33 anos e sem recursos financeiros, criou no dia 21 de fevereiro de 1937, o Instituto Brasileiro para Investigação da Tuberculose (IBIT), instituição para pesquisa sobre a doença.

O IBIT tornou-se uma obra de referência internacional pela qualidade da sua produção científica e do seu trabalho assistencial, esse foi o primeiro de um conjunto de empreendimentos, como o Hospital do Tórax, posteriormente denominado Hospital Santo Amaro. Em 1950, foi aprovado em concurso como Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia.
Pouco tempo depois, assumiu a cátedra de Tisip­neumologia da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública e da Escola de Enfermagem da UFBA. Prestigiado por diversas instituições nacionais e internacionais.

José Silveira também publicou inúmeros livros como Vela Acesa, Paradigmas e No caminho da Redenção, expostos no Memorial José Silveira, no Prédio do Núcleo de Incentivo a Cultura de Santo Amaro, onde antigamente foi a sua casa.

O antigo sobrado guarda as lembranças de toda a vida do médico, seus livros, fotografias, lembranças de viagens, tudo é conservado até hoje, sua biblioteca particular, o seu quarto, toda a história está aberta à visitações de segunda a sexta-feira nos horários de 8:00 às 12h e de 14:00 às 16h.



Perfil: Maria Mutti

Foto: arquivo pessoal


Por: Dalila Brito

Maria da Purificação de Souza Mutti, santamaranse, hoje com 68 anos, filha de Antônia Castro Souza e de Milton Mutti. Iniciou a sua vida estudantil com o curso de professora primária na cidade de Santo Amaro, seguido de bacharelado em Teatro pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e pós-graduação em Recursos Humanos pela Escola de Administração da Ufba. Ainda jovem, estudante do Centro Educacional Teodoro Sampaio, foi fundadora do Grupo Folclórico Oxalá, formado por jovens mulheres da comunidade que realizavam performances de capoeira, maculelê e samba de roda.

Desde jovem, Maria Mutti sempre foi engajada em causas educacionais, excelente aluna, nunca repetiu o ano, foi líder de turma da primeira à quarta série, estudou três anos de curso pedagógico para professora primária e participou da criação do Grêmio Estudantil João Dórea Gomes, no Centro Educacional Teodoro Sampaio, onde lutou pela participação das mulheres na composição do grêmio, que até então era liderado apenas por homens. Representante feminina, Maria se tornou secretária do grêmio, onde lutou pelos direitos estudantis, engajando as mulheres em temas políticos.

Embora formada em professora primária, sua primeira experiência profissional foi após passar em um concurso público para o cargo professora de educação artística, dando aulas de danças folclóricas, cultura popular e história santoamarense. Em seguida prestou seu primeiro vestibular e foi estudar em Salvador, onde trabalhou na Fundação Cultural do Estado da Bahia, assumindo a coordenação do grupo de trabalho de arte e educação, levando cultura popular para escolas públicas e bairros da capital baiana.

Foi trabalhando na Fundação que conheceu o médico também santoamarense, José Silveira, que a convidou para ser diretora do Núcleo de Incentivo a Cultura de Santo Amaro (NICSA), onde foi implantada a Biblioteca e o Memorial José Silveira.

Após a morte de Silveira, Maria Mutti transferiu a biblioteca Padre José Loureiro, a maior do recôncavo baiano - com um acervo de 40 mil exemplares, para um salão alugado e transformou o prédio da Fundação NICSA em um memorial com todos os pertences de José Silveira. Intelectual, de voz e opiniões firmes, aposentada há seis anos, Maria Mutti se dedica à criação do Instituto Cultural em homenagem ao artista plástico santoamarense Emanuel Araújo. Mesmo depois da aposentadoria, ela continua trabalhando para que a cultura e a memória da cultura de sua terra perpetue.

Perfil: Emanoel Araújo

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Foto; Google Imagens

Por: Dalila Brito

Emanoel Alves de Araújo é escultor, desenhista, gravador, cenógrafo, pintor, curador e museólogo. Nasceu em 15 de novembro de 1940, na cidade de Santo Amaro, no Recôncavo da Bahia. Aos treze anos trabalhou em linotipia e composição gráfica na Imprensa Oficial do Estado, mudou para Salvador para cursar Arquitetura, mas suas constantes visitas à exposições e museus lhe fez mudar de ideia. Ele se matriculou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, onde teve aulas de gravura com o mestre Henrique Oswald, artista que por admiração queria que Emanuel fosse seu substituto no ensino universitário.
Foi diretor do Museu de Arte da Bahia de 1981 a 1983, diretor da Pinacoteca do Estado (1992 a 2002), recebeu menção honrosa especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte (1999), foi curador e diretor do Museu Afro Brasil, do qual possuía obras de sua coleção (2004). Realizou várias exposições individuais e coletivas por todo o Brasil, Europa, Estados Unidos e Japão.

Considerado um extraordinário escultor, suas obras tridimen sionais se destacam pelas grandes dimensões, pelos relevos e pelas formas integrantes nas edificações urbanas. Seu estilo dialoga com movimentos artísticos de toda a história, mas sempre com ênfase nos detalhes que descrevem e valorizam as características africanas.

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